Olá,
O dia 11 de Maio de 2010 começou idêntico a tantos outros.
Começou rápido e stressado. Acordei com vontade de dormir tudo outra vez e, para não variar muito, a poucos minutos da hora em que deveria estar a sair de casa, o que me levou a, mais uma vez, ter de optar entre tomar banho ou tomar o pequeno-almoço. Felizmente ainda não podemos pensar (fazer): «Lavo-me pelo caminho…».
Por outro lado, o meu amanhecer foi verdadeiramente diferente.
Depois de sair de casa, enquanto caminhava em direcção ao metro, não perdi tempo e sintonizei o meu leitor de mp3 na Antena 1. Queria seguir todos os passos do sucessor de Pedro, queria saber o que estaria a acontecer algures entre Lisboa e o Vaticano, queria estar o mais perto possível do acontecimento. Na verdade, a pior parte deste dia nem foi a manhã de trabalho mas sim, os vinte minutos de viagem pelos túneis do Metropolitano de Lisboa, altura em que é impossível captar um sinal de rádio. Durante estes intermináveis minutos, senti-me distante do mundo.
Ainda assim, foi no começo dessa viagem que eu amanheci para esse novo e inesquecível dia. No caminho entre as estações de Odivelas e do Senhor Roubado vi o sol alto e forte, no céu limpo, através dos vidros que intensificavam a sua força. Senti o calor do sol no meu rosto. Senti o abraço de Deus, senti o seu bom-dia.
A peregrinação começou à hora do almoço, no local combinado, a plataforma de embarque da estação do Campo-Grande, onde me encontrei com dois amigos que comigo quiseram Acreditar. À hora marcada partimos para o “Marquês”. A t-shirt do Grupo de Jovens era o nosso estandarte, junto ao peito a cruz, às costas tínhamos o farnel, nas mãos a Paz, no nosso rosto o sorriso de Cristo.
Digo, sem qualquer receio que, ao longo de todo aquele dia e em especial aquela tarde, muitas foram as ocasiões em que a alegria e o ânimo me fizeram sentir o muito conhecido mas nunca esperado “arrepio na espinha”.
Guardo na memória muitas fotografias que câmara alguma consegue captar.
Os meus amigos acenando no interior do metro (eram eles que traziam o almoço); as dezenas de jovens que circulavam pelas ruas e pelo metro caminhando na mesma direcção que nós; as t-shirts brancas a dizer Bento XVI Portugal; o emergir à superfície na estação do Marquês de Pombal era como entrar numa enorme arena onde decorria um gigantesco espectáculo; a multidão que se reunia em Lisboa; a cor azul das t-shirts; o eco vivo das palavras Viva o Papa; a confusão de jovens no ponto de check-in; a passagem do Papa Bento XVI mesmo à nossa frente na Av. Fontes Pereira de Melo; o almoço à porta do pavilhão Carlos Lopes; a grande marcha até ao Terreiro do Paço; os cânticos de alegria e Fé; os rostos amigos que encontrámos pelo caminho; todas as pessoas que saudavam os jovens e se juntavam à festa e à alegria que pairava no ar e claro, a entrada na Praça do Comércio.
Para mim, seria impossível encontrar um palco mais apropriado. No meio de toda a praça tínhamos a estátua de um dos mais saudosos monarcas desta nação que acolheu a visita do Santo Padre, por todo o lado as pessoas enchiam de alma o recinto, os edifícios envolventes traziam nas suas cores um especial toque a Vaticano e, na linha do horizonte, um magnífico altar branco, salpicado por nuances azuis pintadas por reflexos de água. Um altar que se debruçava sobre o rio que tantas vezes viu partir as naus que levavam a Fé Católica além-mar. O rio onde várias dezenas de embarcações se enfeitaram para também eles saudar o Papa. E, em pano de fundo deste quadro, o céu, o céu que se abriu azul e cintilante. O céu onde, decerto, os anjos reservaram lugares para cantarem connosco a nossa Fé – Jesus Cristo – o Cristo, que na imagem do Cristo Rei, abraçava simbolicamente a “Lisboa amiga”.
Guardo também em mim os cânticos que tentei acompanhar, as orações que milhares rezaram em conjunto, o abraço da Paz, os sorrisos e as palavras do Santo Padre e claro, uma Eucaristia que foi verdadeiramente uma Festa da Vida.
Na verdade, aquilo que vivi naquele dia, ainda hoje me surpreende e, a pouco e pouco, vou descobrindo mais daquilo que senti mas, sei convictamente que receber o Papa em Portugal, na nossa capital, poder ir ao seu encontro, vê-lo a passar a três metros de mim acenando sorridente e ser parte destes milhares que ousaram gritar sem medo, EU ACREDITO, foi uma das melhores experiências da minha vida.
Como a nossa Fé se manifesta na alegria e na amizade, eu pedi aos dois amigos que me acompanharam para dedicarem meia dúzia de linhas. Aqui ficam os seus testemunhos:
“Arrepio, foi assim que começou o meu dia, com a chegada de Bento XVI a Portugal e mal sabia a Paz que se iria sentir no Terreiro do Paço. Um Homem que por muitos representava a reviravolta da igreja, o retorno de uma igreja fechada e sem diálogo como se passou durante séculos. Mas, pelo contrario, Bento XVI mostra-se um pessoa aberta ao diálogo e a manter todo o trabalho feito por João Paulo II! No dia 11 de Maio senti uma experiencia única pois não tinha estado num ambiente tão calmo, sereno e cheio de Paz, foi p’ra mim um momento único.
Estar presente numa Celebração presidida pelo representante de Pedro na terra! Eu e de certeza que milhares de pessoas mudaram a sua opinião sobre o nosso Santo Padre, um homem cheio de serenidade e de Paz.”
Ricardo Moreira
“ACREDITAR foi o Pai que me ensinou.” Era o que dizia, era o que estava escrito por todo o lado. Nós fomos, nós estivemos, nós participámos, nós mostrámos, NÓS ACREDITÁMOS!
Estive algum tempo numa estação de metro, sozinha, à espera dos meus irmãos na fé e companheiros neste desafio de provar que se acredita. E quando vi um grupo maior que o nosso, animado, de t-shirt azul e viola às costas, eu percebi que a fé, afinal, estava mais viva do que eu julgava. E foi isso a maior lição que obtive deste dia. Que afinal há jovens, MUITOS jovens, que quando chamados também vão mostrar que acreditam. E com este dia, a minha fé na fé do Homem cresceu e aumentou.
No dia 11 de Maio de 2010, nós vimos o Papa, o Vigário de Cristo.
Mas saibam que hoje, nós continuamos a anunciá-Lo, o próprio Cristo Vivo, presente em todos nós.
Vera Lomba

Para terminar gostava de citar as palavras do próprio Papa Bento XVI na sua homilia.
“Queridos Irmãos e jovens amigos, Cristo está sempre connosco e caminha sempre com a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com Ele, comungai-O. Aprendei a ouvir e a conhecer a sua palavra e também a reconhecê-Lo nos pobres. Vivei a vossa vida com alegria e entusiasmo, certos da sua presença e da sua amizade gratuita, generosa, fiel até à morte de cruz. Testemunhai a alegria desta sua presença forte e suave a todos, a começar pelos da vossa idade. Dizei-lhes que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo. Com o vosso entusiasmo, mostrai que, entre tantos modos de viver que hoje o mundo parece oferecer-nos – todos aparentemente do mesmo nível –, só seguindo Jesus é que se encontra o verdadeiro sentido da vida e, consequentemente, a alegria verdadeira e duradoura.”
É nesta certeza que eu e outros dois amigos nos juntamos a todos os que quiseram saudar o Papa. Porquê? Porque Acreditamos!
Um Grande Abraço em Cristo,
Luís Muñoz

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